Vera Barbosa

A maioria das coisas importantes que aprendo vêm de dentro, e não de fora de mim.

Textos


UM MUNDO UTÓPICO (Meu mundo ideal)

Às vezes fico pensando num mundo completamente diferente deste, um mundo em que haverá igualdade entre as pessoas. Igualdade de direitos, de oportunidades, de as pessoas serem autênticas e espontâneas e também igualdade de deveres.
Não haverá leis, mas todos conhecerão as regras do bom convívio social e as seguirão naturalmente. A primeira grande regra será: cada um deve se importar mais com o bem estar do outro do que com o próprio e comprazer-se com o sucesso do outro.
Não haverá propriedades privadas. As palavras meu e minha não existirão, portanto não haverá grandes fortunas, grandes latifúndios rurais e urbanos de um lado, nem miséria, fome e desamparo do outro. O mundo será um espaço único, onde todos poderão transitar livremente.
Não haverá crianças rejeitadas, abandonadas, molestadas ou tratadas como coisas. Elas serão cuidadas por seus pais, educadas e preparadas para a vida no próprio lar, onde aprenderão as regras de convivência, desenvolverão desde cedo a compaixão e a empatia.
Finalmente, a Regra de Ouro será exercitada: “Não faças aos outros, o que não queres que te façam”.
Na escola, as crianças aprenderão as ciências, as artes, filosofia e espiritualidade. Serão incentivadas ao hábito da leitura e ao aprendizado da música, desenvolvendo as aptidões naturais de cada um, seja nas ciências ou nas artes. No quesito liderança, os líderes naturais serão modelos para os outros.
No plano físico, os seres humanos serão igualmente responsáveis pela preservação do meio ambiente e dos ecossistemas. Os recursos naturais serão usados por todos com parcimônia, sem desperdícios, e não haverá incentivo ao consumo desenfreado de supérfluos.
Haverá muitas florestas, povoadas por animais de todas as espécies, que jamais serão maltratados, aprisionados ou caçados para servirem de alimento aos humanos.
Os rios terão águas límpidas, onde poderemos ver cardumes inteiros seguirem naturalmente seus ciclos de vida, de reprodução e de morte.
As pessoas terão habitações confortáveis, conforme suas necessidades e gosto pessoal de arquitetura, e todas as edificações serão construídas com materiais compatíveis com o clima da região e que não desgastem ou contaminem os recursos naturais do planeta, nem coloquem em risco as diversas espécies vegetais e animais existentes. As ruas serão limpas, e todos zelarão pelas áreas comuns como extensão de suas próprias casas.
Não haverá dinheiro, mas também não voltaremos à época do escambo, onde uns trocavam mercadorias com os outros. Haverá as coisas necessárias à manutenção da vida, como hoje, só que serão produzidas nos locais próximos das matérias primas e distribuídas para todos que precisarem delas. Todos trabalharão naquilo que gostarem de fazer, conforme suas tendências naturais e suas qualificações técnicas. Não pagarão por nada, mas também não receberão salário.
Os serviços públicos – escolas, hospitais, transportes, etc. – também serão efetuados por pessoas que se sintam capacitadas para isso, sem qualquer remuneração.
Assim, deixarão de existir muitas atividades, profissões, explorações, desmandos, incoerências, torpezas, e todo tipo de aberrações comportamentais que vivenciamos atualmente.
Só para ilustrar, citarei alguns que, obviamente, não esgotam o assunto.
Como a sociedade se autorregulará, não haverá: leis, criminosos, advogados, promotores, juízes, cadeias, delegacias, presídios, IMLs, habeas-corpus, policiais, políticos, traficantes de todo tipo, prostituição, pedofilia, pornografia, sequestros, guerrilhas, guerras civis, guerras mundiais, armas de qualquer espécie, etc.
Devido à não existência dos maiores vilões dos últimos séculos – o dinheiro e o consumismo – não haverá necessidade de: bancos, bolsas de valores e de mercadorias, investidores, economistas, administradores de empresas, contadores e afins, empresas de crédito e financiamentos, mercados paralelos, agiotagem, dívidas, corrupção, paraísos fiscais, ladrões, superfaturamento, caixa dois, lotéricas, jogos de azar, e tantos outros absurdos que imperam em nosso mundo atual.
Já que os conceitos de pátria, raça e cidadania serão extintos, não haverá a necessidade de: nacionalidades, passaportes, embaixadas, consulados, vistos, refugiados, palácios de governo, escoltas para governantes, reuniões dos mais ricos, dos mais pobres e dos remediados, lutas sangrentas por terras, por espaços que contenham água, petróleo, ouro, cobre, silício e por espaços sagrados, enfim, o mundo será um só para todos, e ninguém se sentirá lesado ou roubado, porque não haverá o quê ser roubado.
Pode-se pensar que, com a extinção de todas essas profissões e das funções existentes para o atendimento de todas essas atividades que desaparecerão, e também dos empregados das empresas fabricantes de quinquilharias que movem a sociedade de consumo, as pessoas não terão em quê trabalhar, e o desemprego, que já é alto, em alguns lugares do mundo, aumentará ainda mais. Mas não será assim.
Quem já ouviu falar em desemprego em aldeias, em comunidades, em tribos, em pequenas fazendas, onde todos têm sua ocupação para o bem de todos? Quando evoluirmos a esse tipo de sociedade, a Terra será uma aldeia, onde todos trabalharão na construção de moradias decentes para todos, na melhoria dos transportes coletivos, da Educação e da Saúde para todos. Não haverá privilegiados de um lado, e miseráveis sem qualquer direito, do outro lado.
Simplesmente, haverá uma transformação da sociedade, que vai deixar de valorizar o supérfluo e começar a pensar em soluções para os problemas realmente sérios. Não haverá seres humanos perseguindo e exterminando outros, que já haviam sido “exterminados” pela sociedade da desigualdade, do desinteresse e do egoísmo. Alguns poderão alegar: “Ah! Mas são traficantes, bandidos, estupradores e psicopatas que merecem mesmo morrer!” Mas, e a Justiça? Morreu também? Antes era cega, talvez depois tenha adquirido outras “deficiências”, até tornar-se incapaz de executar seu papel. Então, deve prevalecer a justiça pelas próprias mãos, a lei do mais forte, da barbárie? Não. Quando alguém fizer algo que prejudique outro ou a natureza ele será levado a um tipo de Escola de Aprendizado sobre a Vida, um lugar onde será muito bem tratado para que se recorde dos reais valores do mundo e possa voltar à comunidade sem representar perigo. Se reincidir, então será levado a lugares onde encontre pessoas que pensem como ele, para que formem sua própria comunidade.
Nesse mundo ideal, todos terão as mesmas oportunidades. As crianças terão alimentos, moradia, educação, um lar que lhes dê carinho e compreensão, e poderão expressar suas opiniões e necessidades, e serão compreendidas; jamais serão castigadas física ou psicologicamente.
Num mundo assim, será que haveria tantos bandidos? Tanto medo, tanta insatisfação, tanta busca infrutífera da felicidade? Será que, nesse mundo, as crianças precisariam entrar para o mundo das drogas para “alimentar” os traficantes, que os tratam como animais, sem qualquer dignidade? E esses, depois se tornariam novos traficantes, que aliciariam outras crianças, nesse interminável ciclo de violência e destruição? Será que haveria tantos psicopatas, pedófilos, corruptos, delinquentes de todo tipo?
Precisaríamos pagar para ver. Mas, como? Quando?

Texto que integra meu livro "Falando à alma"

 
Primavera Azul
Enviado por Primavera Azul em 24/01/2018
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