Morreu feliz - Parte 2
- Mas precisa ficar com depressão por causa disso? Tanto homem no mundo!
- É o que todos lhe diziam. Aconselhavam que saísse, fosse se divertir, acabaria conhecendo outro, até melhor. Mas nada adiantou, ela chorava o tempo todo, não comia, não dormia direito, foi definhando... Até que a mãe a levou ao médico e ele deu remédios.
- E ela melhorou?
- Saiu da crise, mas continuou não saindo de casa, não querendo saber de mais ninguém. Murchou como uma planta esquecida de ganhar água.
- Nossa, que radical.
- Não falei que ela era diferente? Ela dizia que aquele namorado tinha sido especial, ela já tinha tido outros antes, mas nunca se prendera realmente. Era muito exigente, se doava toda na relação e queria reciprocidade, e parece que com esse ela tinha encontrado isso.
- E ela falava o que era tão especial? Estou curiosa.
- Falava e não falava, mas a gente percebia. Os sorrisos, antes escondidos desabrocharam como plantas ao sol da manhã, o brilho nos olhos, os devaneios... As flores semanais que ele lhe dava, o carinho, a atenção, tudo que ela não tivera até então. Ele preencheu todo o vazio que tinha sido sua vida antes dele.
- Paixonite aguda!
- É. No início foi uma história linda, intensa, profunda. O amor eterno, e recíproco, daqueles que nem a morte poderia extinguir. Daqueles em que um acorda e vai dormir pensando no outro e vice-versa...
(continua)