Vera Barbosa

A maioria das coisas importantes que aprendo vêm de dentro, e não de fora de mim.

Textos


 
        MORREU FELIZ – Parte 4
 
- Não, mas os pais dele eram bem de vida, estudados, tinham bons empregos. O dela era analfabeto, emprego simples, salário de subsistência. A mãe, prendas domésticas, também sem cultura. Acho que pegou por aí, pelo menos foi o que ela me disse um tempo depois, quando conseguiu sair do fundo do poço e tentar conviver com a nova realidade.
- Mas como foi o rompimento, ela chegou a dizer?
- Parece que foi como disse Vinícius de Moraes: “De repente, do riso fez-se o pranto...”, Um dia, ele foi à casa dela e a convidou para um lanche. Foram e, entre uma mordida no hambúrguer e um gole na coca, o golpe rápido e direto como a seta acertou o alvo. Sem mais delongas, (assim mesmo, a verdade nua e crua, sem preliminares), foi dizendo que as coisas não eram mais como antes (nada é como antes, tudo muda a cada segundo), e disparou:
- Acho melhor terminarmos.
Disse que era muito novo para compromisso sério, que ela não era moça pra ser enrolada, que o pai achava que o namoro estava ficando muito longo e se continuasse ele teria que casar logo. Acabou.
Como muitas outras histórias, acabou para um dos lados. No caso, o dele. Que saiu livre e solto a nadar em outras águas, borboleteando sobre outras flores. Livre para viver. Mas, como em tudo há os dois lados, para ela, que continuou gostando dele como antes, não foi bem assim. O impacto inicial foi como cair num precipício.
 
(continua)
Primavera Azul
Enviado por Primavera Azul em 03/11/2013


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras