Vera Barbosa

A maioria das coisas importantes que aprendo vêm de dentro, e não de fora de mim.

Textos


HISTORINHA DO VOVÔ

 

- Vovô, conta uma estória para eu dormir?

 

- Qual você quer hoje?

 

- Aquela do menino que sabia ler.

 

- Ah! Sim. Houve um tempo, há muitos anos atrás, em que os meninos iam à escola e aprendiam a ler, escrever, fazer contas, e muitas outras coisas.

 

- O que é escola?

 

- Era um lugar onde se reuniam os professores para ensinar o que sabiam às crianças.

 

- E o que é ler, escrever e as outras muitas coisas?

 

- Bem, vamos por partes, você quer saber tudo de uma vez....

 

- É que adoro essas essas estórias de ficção!

 

- Então vamos lá. A leitura era considerada uma coisa muito importante para as pessoas aprenderem as coisas. Ler era poder decifrar e entender o que estava escrito, e assim elas podiam conhecer o pensamento dos filósofos, cientistas e pensadores, ler romances, poesias, tudo o que tinham deixado para ser ensinado às futuras gerações.

 

- E por que não aprendiam nos CDs e DVDs?

 

- Contam que àquela época não havia esses aparelhos.

 

- Sério? E como eles aprendiam as coisas?

 

- Então, é aí que entram os livros e a necessidade de saber ler.

 

- Livros?

 

- Eram objetos onde as pessoas deixavam escritos os conhecimentos. Eram muito valorizados, alguns tinham verdadeira paixão por eles, liam o dia inteiro.

 

- E tinha tantos livros assim, que dava para alguém ficar lendo o dia inteiro?

 

- Havia milhares, milhões deles, sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis. Dizem que havia imensos lugares só com livros, que eles chamavam de bibliotecas.

 

- Bíblia não é a palavra de Deus?

 

- Sim, mas essa palavra também significava livro, numa língua muito, muito antiga que se chamava latim.

 

- Nossa, que pessoal complicado!

 

- E põe complicado nisso! As pessoas tinham que aprender muitas coisas sobre essa língua antiga, para depois compreender e escrever melhor a sua própria.

 

- Isso só pode ser ficção mesmo. E das brabas.

 

- É, mas há quem acredite que esse tempo existiu mesmo.

 

- Tem gente que ainda acredita em Papai Noel. Mas, vovô, como você aprendeu tudo isso?

 

- Essas estórias foram passando, de geração a geração; os pais contavam para os filhos, que contavam para os filhos, e assim durante muito tempo. Chamam-se lendas, e falam de tempos já perdidos na memória dos homens, ou que nunca existiram. Depois foram gravadas em CDs e eu os ouvi. Bem, mas agora chega. É hora de dormir.

 

- Mas você não falou sobre contas e todas aquelas outras coisas.

 

- Outro dia eu conto mais. Boa noite.

 

- Boa noite, vovô.

 

 

Primavera Azul
Enviado por Primavera Azul em 09/10/2026


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